O Paraquedismo e as Substâncias Proibidas – Por Chelsea Anne

“Por que saltar de um avião em perfeito estado?” Ouvi essa pergunta muitas vezes depois que descobriram que eu era paraquedista. E muitas vezes respondi com um ar sarcástico: “Por que não?”

A verdade é que o skydive é mais do que apenas saltar de um avião em perfeitas condições de voo, é uma experiência sensual, instintiva, incomparável, um teste de esforço máximo.

Meu nome é Chelsea Anne e gostaria de compartilhar uma experiência no mundo do paraquedismo.

Chelsea Anne Skydive Online Luchiari Paraquedismo Raymond Adams Photography
Chelsea Anne
Photo Raymond Adams

Quando você está em queda livre, você tem que manter a calma sob uma certa “pressão”, manter a clareza de pensamento, e, mais importante, você tem que comandar a abertura do seu paraquedas na altura correta. Paraquedismo requer um grande senso de atenção, e um foco que pode significar a diferença entre a vida e a morte. A sensação de serenidade quando se esta em voo quando seu velame (paraquedas) se abre e infla totalmente, e o sentimento de realização como seus pés voltar para a terra é mágico, quase espiritual; certamente uma das melhores experiências que a vida tem a oferecer.

Comecei minha jornada no skydive fazendo um Tandem (Salto duplo) em abril de 2013, aos 20 anos de idade. Eu estava planejando isso desde que eu era uma criança, era um tema comum de discussão em minha casa. Minha mãe, pensando no meu aniversário de 18 anos, que estava a “anos luz de distância”, aceitou e até mesmo concordou em ir comigo. Fast forward para 2011, o meu aniversário de 18 anos, ela retratou sua decisão, como qualquer mãe e eu fiquei sem fazer o salto por mais dois longos anos. Mas em abril de 2013 eu tomei a decisão e disse: “Mãe, estou indo para Auburn para celebrar o meu aniversário”, fui “escondida” e contei apenas depois de realizar o salto em segurança, em solo (mas eu ainda estava em apuros). Enfim, desde o primeiro tandem, eu me apaixonei, e em seguida eu imediatamente comecei a fazer o curso  AFF. Muitas horas de estudo e depois de mais nove saltos (2 deles repetidos para que pudesse me formar) tive meu primeiro salto solo e minha certificação em julho de 2014.

Desde então continuei a saltar regularmente, me afiliei a Georgia Tech Esporte Parachute Club – USA, e até me apaixonei por outro paraquedista. Era o momento mais feliz da minha vida até então. Eu tinha tudo na ponta dos dedos. Eu era muito querida na minha “casa” DropZone, Skydive Atlanta USA, lá eu encontrei um segundo lar.

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E então, eu perdi tudo, por um vicio, eu bebia quase todas as noites, e na DropZone. O último salto do dia era o sinal de que era hora de festa, de beber. Foi então que bebi até apagar e percebi que não estava em um bom caminho, era um ciclo, um ciclo ruim, muito ruim. No entanto, eu era alheia a reconhecer meus hábitos de consumo perigosos ou meu orgulho era grande demais para admitir que tinha um problema.

Entre um manifesto e outro para saltar eu escondia as latas vazias de bebida no banheiro feminino, pensava eu que ninguém notaria. Então, eu continuei bebendo, e bebendo, e bebendo, e no meu último salto do dia entrei no avião, planejei meu salto, e com a luz verde sai do avião, saltei… minha mente estava perdida, eu estava no meu mundo e onde eu deveria comandar meu paraquedas a 4000 pés, e então não o fiz, o disparador automático fez. O resultado foi extremamente perigoso, me lembro de “acordar” com o paraquedas aberto e muitas árvores abaixo. Isso é ruim, isso é muito, muito ruim eu disse para mim mesmo. Comecei a chorar, sentia que meu destino não era bom. Com minha súbita consciência encontrou uma pequena área entre as árvores, estava me preparando para o pior.Algo, alguém me salvou naquele dia, após um pouso forçado e alguns arranhões. Momentos mais tarde fui acompanhada até o escritório da DropZone e fui expulsa da área, a Skydive Atlanta havia me proibido de voar até novo aviso. Também fui expulsa da Georgia Tech Esporte Parachute Club, e meu nome havia se tornado uma piada na comunidade Skydive Georgia.

Hoje estou sóbria, percebi que todos se importavam comigo, alguns até tentaram me levar para reuniões dos alcoólicos anônimos, outros compartilharam suas próprias experiências, mas na época eu não quis ouvir.

Skydive, hoje, é terapêutico para mim, isso me acalma e me lembra a apreciar as pequenas coisas, apreciar verdadeiramente as pequenas coisas da vida, a vida.

A comunidade de paraquedistas de Altanta foi além do apoio e carinho e por isso, não posso deixar de agradecê-los sempre. Ainda estou proibida de praticar Skydive em Atlanta, estou mais motivado do que nunca para provar que me restabeleci e então reconquistar o caminho de volta para minha casa DZ de formação.

“Eu sei que um dia eu vou encontrar o meu caminho de volta para casa.”

Artigo por Chelsea Anne
Los Angeles, CA, Estados Unidos

No Brasil o Código Esportivo da Confederação Brasileira de Paraquedismo, no Capítulo XV, sobre normas para o controle de substâncias proibidas e/ou restritas e métodos proibidos, descreve suas normas e parágrafos sobre este assunto.

Acesse o link e baixe o código completo: https://www.cbpq.org.br/site/download/a/codigo_esportivo

Esporte é saúde, drogas matam!

#SkydiveOnline

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